quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A velha e a chupeta


Ontem aconteceu uma daquelas coisas bizarras que, entre todas as pessoas que eu conheço, só ocorre comigo. Talvez porque as pessoas leiam na minha cara que eu tenho senso de humor(sic), talvez porque elas se sintam à vontade para desafiá-lo.
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O fato é que essas coisas só acontecem comigo.
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Na academia, lá pelas dez da manhã, decidi fazer uma pausa nos exercícios e encher a minha garrafinha no bebedouro, no cantinho do amplo recinto. Eu uso um squeeze, em que a tampa se solta do restante da garrafa na hora de encher. Como eu precisava de uma das mãos para segurar a garrafa e a outra pra acionar o bebedouro, tive a brilhante idéia de colocar a tampa na boca. Afinal, eu já coloco a boca na tampa pra beber, não é mesmo?
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Começo a encher a garrafa...
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Enquanto a garrafinha enche, com aquela irritante torneirinha conta-gotas, vou confessar uma coisa: mais do que os bombadinhos exibidos ou as piriguetes seminuas, eu ODEIO as aposentadas que malham de manhã na minha academia. Minha sim, porque eu sou egocêntrico e crio uma relação de posse com meus prestadores de serviços.
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Enfim, eu detesto a forma como as aposentadas levam doze anos, três meses e vinte e cinco dias para fazer o que deve ser feito em um equipamento e liberá-lo para o próximo indivíduo. Ou a forma como elas usam os equipamentos como local de fofoca. Eu posso estar sendo muito ranzinza, uma vez que academia é, supostamente, um local de relaxamento e tranquilidade. Não seria eu, entretanto, se fosse diferente.
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Com a garrafa quase cheia, Dona Florinda me cutuca, espera eu tirar os fones de ouvido (do NOT do that) e manda uma frase épica. Palavras que eu jamais vou esquecer:
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- Você ainda usa chupeta? Que gracinha! Que bonitinho! Oh, meu Deus!
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Dentro da minha cabeça, eu enfiei a porrada na velha. Back to the scene, metade do time de tricô do bairro começa a rir.
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E eu? Eu abstraio.
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Saludos!