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O fato é que essas coisas só acontecem comigo.
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Na academia, lá pelas dez da manhã, decidi fazer uma pausa nos exercícios e encher a minha garrafinha no bebedouro, no cantinho do amplo recinto. Eu uso um squeeze, em que a tampa se solta do restante da garrafa na hora de encher. Como eu precisava de uma das mãos para segurar a garrafa e a outra pra acionar o bebedouro, tive a brilhante idéia de colocar a tampa na boca. Afinal, eu já coloco a boca na tampa pra beber, não é mesmo?
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Começo a encher a garrafa...
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Enquanto a garrafinha enche, com aquela irritante torneirinha conta-gotas, vou confessar uma coisa: mais do que os bombadinhos exibidos ou as piriguetes seminuas, eu ODEIO as aposentadas que malham de manhã na minha academia. Minha sim, porque eu sou egocêntrico e crio uma relação de posse com meus prestadores de serviços.
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Enfim, eu detesto a forma como as aposentadas levam doze anos, três meses e vinte e cinco dias para fazer o que deve ser feito em um equipamento e liberá-lo para o próximo indivíduo. Ou a forma como elas usam os equipamentos como local de fofoca. Eu posso estar sendo muito ranzinza, uma vez que academia é, supostamente, um local de relaxamento e tranquilidade. Não seria eu, entretanto, se fosse diferente.
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Com a garrafa quase cheia, Dona Florinda me cutuca, espera eu tirar os fones de ouvido (do NOT do that) e manda uma frase épica. Palavras que eu jamais vou esquecer:
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- Você ainda usa chupeta? Que gracinha! Que bonitinho! Oh, meu Deus!
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Dentro da minha cabeça, eu enfiei a porrada na velha. Back to the scene, metade do time de tricô do bairro começa a rir.
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E eu? Eu abstraio.
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Saludos!